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Da demissão à missão

Publicada em: 2016-05-30

“ Das demissões do nosso tempo nasce a missão da nossa vida “ (Raúl Follerau)


Este tempo, o tempo que nos é dado viver, como qualquer outro momento da história da humanidade, assiste, muitas vezes, muitas mesmo, à demissão dos cidadãos das suas incumbências., dos seus deveres e dos seus direitos. Este início do século XXI, continuando as enormes fragilidades do século XX, assiste, contudo, a uma demissão geral dos cidadãos do exercício dos seus direitos mais fundamentais. Dou alguns exemplos:

1. a generalidade dos pais demitiu-se das sua principal e insubstituível obrigação, que é a de se assumirem como os primeiros e principais educadores dos seus filhos - ao entregarem os filhos ao Estado omnipotente, assumido como o “grande educador” do povo. O Estado é tido, sem grande incómodo por parte dos pais, como o único responsável pela educação dos filhos. Que têm feito os pais? Demitiram-se. Deixaram de cumprir a sua mais nobre função, que é a de serem eles a educar os filhos, onde quiserem, sem ser penalizados por isso, o que não lhes é permitido hoje. A maioria dos pais dorme tranquila enquanto os ideólogos “ trabalham” a cabeça dos filhos. Demitiram-se, é a constatação óbvia.

2. A maioria dos eleitores vota sem saber bem em quem vota e na identidade do partido escolhido. Quantos eleitores leram, de facto, o programa eleitoral do Partido em que vão votar. Depois, acompanham os eleitos e verificam se são fiéis ao prometido e fazem –lhes chegar a sua opinião ?Demitiram-se, é a constatação óbvia.

3. Perante programas das televisões do mais ordinário e moral e culturalmente reprováveis, vazios e idiotas, que fazem os cidadãos? Nada! Demitiram-se, é a constatação óbvia.

4. Perante as revistas e outros media do mais inadmissível que se pode imaginar, do ponto de vista cultural e moral, que fazem os cidadãos? Compram-nas. Demitiram-se pelo zelo da saúde pública geral que lhes competia, a bem de um bom equilíbrio emocional e afectivo. Demitiram-se, é a constatação óbvia.

5. Perante leis iníquas aprovadas por largas maiorias, onde se instalam os eleitos em que votámos, que fazemos? Demitimo-nos, é a constatação óbvia.

Perante estas demissões de cada um de nós, temos uma missão, isto é, somos convocados a sair em missão. Para a rua. Para os media. Para o nosso lugar de trabalho ou de lazer. Para onde estamos, desejavelmente atentos e interventivos. É essa a nossa missão, onde a demissão não tem lugar sem nos desdizermos ou contrariarmos o nosso sentir o nosso pensamento, os nossos valores.
Perante a nossa demissão, não temos o direito de protestar. Mas ficar calados é morrer. Queremos morrer e arrastar connosco esta pobre, delirante e podre sociedade?
Todos nós, cada um e todos temos o direito e o dever de sair do nosso conforto burguês, pobre e empobrecedor. Na falsa tranquilidade onde reina a falsidade e a ilusão na qual nos deixámos cair e de onde, também, não queremos sair.

Carlos Aguiar Gomes

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